Director: Cónego Dr. Manuel Joaquim Geada Pinto

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Site-Sexta-Feira,28 de Fevereiro de 2014

À lareira

— Ora seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo! — Para sempre, seja louvado, no Céu e na Terra, e Sua Mãe, Maria Santíssima.


— Ora diga-me cá uma coisa, compadre: que Domingo é hoje?
— É Domingo Gordo!
— Mas, ó compadre, porque é que lhe chamam Domingo Gordo?
— Já algumas vezes te disse que, no tempo do Carnaval, havia dantes uma certa condescendência, porque se ia entrar na Quaresma e esta, antigamente, era a valer. Hoje, infelizmente, mais máscara, menos máscara, é carnaval todo o ano. Por isso mesmo é que não se justifica a paródia que costuma fazer-se por esta ocasião, com tanta baixeza e tanta falta de imaginação. O Carnaval pode e deve ser tempo de alegria, mas não um tempo de pouca vergonha. Os nossos maiores eram, nesse ponto, mais lógicos e sensatos. Admitiam a seringa, a tremoçada, a máscara e o travesti, mas não o bailarico indecoroso e a conversa pornográfica.
— Ó compadre, ao menos agora também já não há jejum!
— Estás enganado! O jejum continua, apesar de ter sido mitigado. Simplesmente a Igreja, atendendo à fraqueza dos organismos e à maior falta de fé, abrandou a sua disciplina. Mas a obrigação do jejum, como forma de penitência, mantém-se, de rigor, em quarta-feira de Cinzas e sexta-feira Santa e, nos outros dias, se não se quiser escolher essa forma de penitência, tem que optar-se por outra, entre as indicadas pela Igreja: mas da penitência é que ninguém está desobrigado. Nem a Igreja podia desobrigar ninguém deste dever tão gravemente afirmado por Nosso Senhor: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis”.
— E quanto à abstinência de carnes?!
— Continua a proibição de a comer em todas as sextas-feiras da Quaresma. E, nas outras sextas-feiras do ano, se se quiser comer carne, torna-se necessário fazer em substituição desta forma de penitência, qualquer obra boa, qualquer sacrifício.
— O compadre já uma vez disse que Carnaval queria mesmo dizer: “abstinência da carne!”
— Isso mesmo! É que dantes os cristãos afinavam pelo diapasão de Santa Teresa: “Quando penitência, penitência; quando perdiz, perdiz!”
— Dois tentos a essa que é boa, compadre!
— Antigamente, os cristãos viviam com mais parcimónia e faziam mais sacrifícios do que são hoje capazes de fazer. Ainda um dia destes estive a ler como morreu a rainha D. Filipa de Lencastre, mulher de D. João I, e mãe do Infante D. Henrique e do Infante Santo. E assim, compreende-se que houvesse grandes homens. como Nun’ Álvares e D. Henrique, e famílias exemplares, como a de D. João I. As mães, como D. Filipa de Lencastre, sacrificavam-se por todo o povo e sobretudo pelos filhos e davam-lhes o exemplo. É por isso que os filhos vieram a ser, como lhes chamou Camões, “ínclita geração, altos infantes.” São as boas famílias que fazem os grandes povos.
— Infelizmente, hoje todos o que querem é pândega e boa vida!
— Mas não são todos!
— Isso é verdade, mas a excepção só confirma a regra!
— Tu não vês no que deram muitos estudantes, alguns deles até filhos de boas famílias?! Asso-prados por ventos que vêm lá de fora e conduzidos por uma meia dúzia de zaragateiros que de estudantes só tinham o nome, fazem de fel e vinagre professores e ministros e tomam praticamente ingovernáveis as Universidades que eram, dantes, as instituições mais prestigiadas do País.
É verdade, compadre! A mim até me parece que ser ministro da Educação é ser candidato a mártir, por mais boa vontade que ele manifeste, por mais tolerante que seja e por mais aberto que se anuncie.
Tens carradas de razão, com-padre! Mas vê lá tu no que deu esta nossa conversa sobre o Carnaval...

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