Director: Cónego Dr. Manuel Joaquim Geada Pinto

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Site-Quarta-Feira,24 de Dezembro de 2014

No adro...

— Ora seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo! — Para sempre seja louvado, no Céu e na Terra, e Sua Mãe, Maria Santíssima!


— Ora tenha o compadre Boas Festas!
— Boas Festas, compadre! Chega-te aqui às brasas, homem, que neste tempo arreganha-se fora do lume. Maria, ó Maria, vê se trazes umas febras e uma garrafa de verdasco, que eu não quero que o compadre vá dizer como da outra vez...
— Não me diga que já matou o porquinho!
— Matei-o anteontem. Estive só à espera que chegasse a rapaziada que se derrete por estas coisas...
— Pensava que o compadre estivesse a guardá-lo para o entrudo!
— Nada, que isto de porcos, quando estão cevados, é melhor não guardar a gente para outra ocasião. Depois, ou lembrei-me daquele dito do povo: “No dia de S. Tomé, pega o porco pelo pé,” dize-lhe que tempo é; se ele disser “que tal, que tal”, guarda-o para o Natal!” Foi o que eu fiz! E dize-me lá se esta febra e os entremeios deste toucinho não estão mesmo bem criados!...
— Boa febra, compadre! Assim, até é um regalo estar a gente ao borralho... Onde estão os meus afilhados?!
— Andam todos por aí! Desta vez, foi uma casa cheia! Tu nem queiras saber a alegria que senti, ao ver os filhos todos, as noras, os genros e seis netinhos, tudo a chilrear, à volta da mesa. Tive uma alegre consoada.
— Realmente, compadre, não há festa como o Natal, para estreitar os laços da família!
— Os mais pequenos armaram o presépio. Sim, porque Natal sem presépio não faz sentido. Cá em nossa casa ainda não pegou a moda estrangeirada das árvores de Natal. É presépio, com o Menino Jesus, Nossa Senhora, S. José, a vaquinha, o burrinho, os pastores, as ovelhas, os reis magos, tudo. Este ano a pequenada até se levou em brios de fazer um castelo. Diziam eles que era Jerusalém. E fritaram-me para lhes comprar um rei Herodes que o Chiquinho completou com uns bigodes muito façanhudos...
— Foi uma alegria, compadre!
— Foi. Um homem até chega a sentir-se feliz por se ver continuado em tanta gente feliz... Comemos a consoada, em que não faltou o bacalhau, nem as rabanadas, nem nenhuma das coisas boas que a Maria sabe fazer.
— Por fim, a missa do galo!
— Claro! Lá fomos todos, porque o centro do Natal é o Menino Jesus que nasceu em Belém, o mesmo que desce, todos os dias, ao altar da Missa. Quem sabe lá, compadre, se daqui a um ano seremos ainda todos vivos e poderemos celebrar, com a mesma alegria, esta festa?
— Foi bem diferente o Natal do Zé Afonso... Para esse, as festas são só copos de vinho. Desta vez, apanhou uma piela, que o ia levando o demo... Lá esteve, toda a tarde, enfrascado em vinho, enroscado na cama, e hoje parece que ainda está a curti-la...
— Eu tenho uma pena muito grande, compadre: é que muita gente fale em Natal, goste do Natal, e não saiba a verdadeira razão desta festa. Ainda há poucos dias eu vi uma reportagem que a televisão fez, nas ruas de Lisboa, perguntando a diversas pessoas que passavam o que significava para elas o Natal. Pois foram poucas as que souberam dar um resposta satisfatória. Aquilo fez-me pena!...
— Também a mim, compadre!
— E como podem os homens amar-se, sentir-se irmãos, enquanto não compreenderem que tudo vem d’Aquele que nasceu na noite de Natal?!

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