Director: Cónego Dr. Manuel Joaquim Geada Pinto

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Site-Quinta-Feira,02 de Abril de 2015

No adro...

— Ora seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo! — Para sempre seja louvado, no Céu e na Terra, e Sua Mãe, Maria Satíssima!

— Santas festas de Páscoa, compadre!

— Aleluia, aleluia! Ora viva o meu compadre: alegre como um gaio, de florilha branca na botoeira, sempre queria saber se o compadre já achou a aleluia!

— Tarde piaste, homem! A aleluia achei-a à meia-noite de ontem. Tu, é claro, não deste por ela, porque estavas cerrado a dormir! Dois proveitos não cabem num saco estreito!

— E porque não tocaram o sino, como devia ser, quando não, acordava pela certa!

— E é claro que na cama não podias fazer a renovação das promessas do baptismo!...

— Então também houve isso lá na Igreja?!

— Houve. Só queria que tu visses a Igreja cheia de gente, o povo todo com as velas acesas e o senhor padre a fazer as perguntas do costume. Foi uma cerimónia que me tocou cá bem fundo no coração!

— Bom, compadre, embora um bocado atrasado, sempre julgo que ainda estou a tempo de achar também a aleluia!

— Tu sabes qual é a verdadeira aleluia?!

— Se o compadre me disser...

—É a graça de Deus. Quem vive em graça ressuscitou com Cristo e teve, por conseguinte, a sua Páscoa.

— O compadre não ouve a campainha?!

— Oiço! Deixa-me cá estugar o passo, porque já se aproxima o senhor prior que anda hoje a visitar as nossas casas. Não quero que ele chegue à minha casa e não me encontre lá!

— Eu julgo que o que ele quer é levantar o folar. Por isso, lá lho deixei, numa bandeja, e vim para aqui esperar pela Missa!

— Estás enganado, homem! O senhor prior quer visitar as nossas casas, abençoá-las e conviver uns momentos connosco. Se tu não estás lá para o receber, é assim uma espécie de desfeita que lhe fazes. Tem lá jeito que esteja só a comadre, com os afilhados, a receber a Visita pascal?!

— Eu julgava que ele o que queria era o folar...

— O folar somos nós que lho damos, de boa vontade, pela gentileza que ele tem de nos visitar. A visita do nosso pastor não pode deixar de nos trazer as bênçãos de Nosso Senhor. É uma honra que ele nos faz. Que educação é a tua, saberes que te visitam, saires de casa e não estares lá para saudar quem te bate à porta?!

— Confesso que não tinha pensado nisso, compadre!

— E prepara umas amêndoas para deitares à rapaziada, em sinal de alegria. Tu bem sabes que na Páscoa não deve haver tristezas para ninguém!

— O pior foi a Zefa da Eira que não teve Páscoa!...

— Porque lhe morreu o marido, há três dias?!

— Então quer tristeza maior?!

— Eu acho que a Zefa da Eira teve a Páscoa maior que este ano se celebrou na freguesia!

— Porquê?!

— Há quantos anos não se confessava o homem dela?!

— Sei lá, compadre... Certamente há umas boas dúzias de anos!

— E esse não era dos que diziam que a confissão foi inventada pelos padres?!

— Lá uma linguinha de prata contra as coisas da Igreja tinha ele!

— E não viste tu como ele se confessou, como mandou chamar os amigos e lhes pediu perdão dos maus exemplos que lhes tinha dado, como comungou com uma devoção impressionante e morreu calmo como os santos?!

— Isso foi verdade, compadre!

— Então tu queres maior alegria para uma pessoa do que a de morrer bem, dando aos que ficam a chorar sobre a terra a quase certeza da eterna salvação?!

— Lá nisso tem o compadre razão!

— Então já tu vês que a Zefa da Eira, embora chore a perda do marido, que, aqui para nós, não lhe dava lá muito bom viver, tem também a consolação de saber que o seu homem morreu de bem com Deus e com o próximo. Esta alegria compensa bem a outra pena!

— O compadre tem sempre razão!

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